Diferenças entre o Médico Perito e o Médico Assistente

Temos a honra de receber uma contribuição para esta importante coluna jornalística de um dos maiores expoentes da perícia médica brasileira em todos os tempos: o colega perito médico Eduardo Henrique Rodrigues de Almeida. Sua história confunde-se com a da própria perícia médica previdenciária brasileira, esteve presente de maneira ativa e pensante nos momentos mais cruciais e decisivos para o destino da perícia médica, primeiramente como categoria e depois como carreira, sendo um dos seus principais idealizadores e mentores. Foi fundador e primeiro presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos –A.N.M.P – hoje ocupa o cargo de diretor de articulação política e intersindical do sindicato nacional dos peritos médicos.Ademais, é um grande autor de conhecimentos e de produção científica no que tange à área médico-legal, publicou vários trabalhos e estudos em grandes periódicos e revistas que versam sobre o assunto e é doutorando em bioética em Portugal.

Dedicado, abnegado, intransigente na luta pela melhoria da carreira, preocupado em ofertar à população a melhor prestação de serviço no intrincado processo de construção de uma previdência social mais justa para todos, não há dentro do seio da medicina-legal no Brasil quem não reconheça o trabalho deste nobre colega e não saiba quem é Eduardo Henrique Rodrigues de Almeida. Hoje trabalha na Junta de Recursos da Previdência Social – JRPS – em Belo Horizonte, que é uma segunda instância recursal dentro da Autarquia.Fazendo uma analogia com o poder Judiciário, ele ocuparia um posto de desembargador, responsável por decidir demandas periciais que, por alguma razão,  tiveram seu pleito indeferido nas Agências da Previdência Social.

Pedimos ao colega para escrever um artigo que, de maneira sucinta, esclarecesse aos leitores as diferenças que existem entre o médico perito e o médico assistente.Quem quiser aprofundar-se mais no assunto basta acessar o link logo abaixo que será direcionado para um dos artigos publicados por Eduardo na Revista Bioética.

www.revistabioetica.cfm.org.br/index.php/revista_bioetica/article/view/618/637

Com a palavra, o perito médico Eduardo Henrique:

É com satisfação que escrevo ao povo acreano. É com satisfação que vejo um periódico oferecer aos seus leitores informações previdenciárias fornecidas por quem os atende diretamente no INSS e é, muitas vezes, incompreendido naquilo que faz, exatamente pela falta de esclarecimento público. O perito médico previdenciário é um servidor público federal que, além de médico, precisa ser aprovado em concurso público exigido desde a Constituição de 1988. Há uma lei que regulamenta o cargo que só existe no INSS, portanto é uma carreira dita de Estado. Mas por que digo isso? É que pretendo explicar aos leitores as diferenças entre este médico e o seu médico pessoal, aquele com quem se consulta.

O médico perito faz o que se chama Medicina Legal, que é a aproximação entre a medicina e o direito, no nosso caso, o Direito Administrativo descrito nas leis previdenciárias. Todas as vezes que um médico verifica um paciente para fins legais ele está fazendo medicina legal. O médico assistente, aquele do hospital ou do consultório não tem essa ocupação – nem poderia, porque haveria conflito de interesses. Ele cuida do seu paciente, atua em seu melhor interesse, tem na confiança mútua a sua principal ferramenta e na confidencialidade seu maior compromisso.

O perito é diferente em todos os sentidos, sua visão é de agente público, seu compromisso é com a coletividade, com o Estado e sua missão é ser justo, para não lesar os direitos das pessoas nem dispor do patrimônio coletivo sem fundamentação normativa nem legal. O perito examina um requerente que não é – nem pode ser – seu paciente e sobre ele elabora um laudo para fins médico-legais. Este laudo determinará acesso ou não a direitos e não pode ser feito para beneficiar nem prejudicar ninguém, apenas refletir a verdade.

Muitas vezes assistimos as pessoas criticarem os peritos por não conversarem, não receitarem, não concordarem com suas alegações. É que essas pessoas têm outra imagem de médico e a expectativa está ligada a essa imagem. São pessoas que não compreendem que o médico possa discordar delas porque desconhecem que, no papel de perito, cabe ao médico desconfiar. É o ofício dele. Para os leitores terem uma idéia de quão diferente de ser médico assistente é ser médico perito, o próprio Código de Ética Médica tem um capítulo específico para os médicos auditores e peritos. Nenhuma outra especialidade médica tem isso.

Assim, caro leitor, caso precise passar por uma perícia, momento sempre desagradável e constrangedor, procure subsidiar o perito com o máximo de informações e provas, mas não espere dele que comente seu tratamento, que o oriente, que faça exatamente o que você desejaria. Assim a tensão de uma perícia pode ser reduzida, contribuindo para sua saúde.

31 ideias sobre “Diferenças entre o Médico Perito e o Médico Assistente

  1. Doutor Eduardo.Concordo que o médico perito tenha responsalidades com o INSS, porém como aconteceu comigo, que fui muito bem atendida na primeira perícia , com respeito e dignidade.Ao retornar para avaliação do pedido de prorrogação, o medico nem olhou para mim, meus exames e atestados.Colocou um V sem tirar os olhos do computador e nem me dirigir uma palavra sequer.Saí de lá direto para a Justiça Federal onde tenho perícia no próximo dia 27/03.Será que o fato de ser perito permite a ele ignorar nosso sofrimento e até mesmo nossa vida?O que fazer para melhorar estes fatos em nosso país.Claro que tem gente que compra atestado e etc, Mas , apartir do momento que se possua exames e diagnósticos de vários profissionais, deveriamos ser tratados , pelo menos , como ser humano.Suas qualidades parecem fazer de voce um grande profissional.Parabens

    • Olá Márcia, entraremos em contato com o Dr. Eduardo para que responda as suas questões. De antemão lhe digo que, se o colega perito agiu deste maneira com você, não o fez corretamente. Afinal, independentemente de exercemos perícia médica ou medicina assistencialista, temos obrigação de examinar cada pessoa e analisar criteriosamente seus exames, laudos e atestados. É por isso que lutamos diariamente, dentro da Previdência Social, para que menos perícias sejam agendadas por dia com a finalidade de atendermos criteriosamente cada caso! Cabe ressaltar que você poderia ter recorrido administrativamente e isso lhe daria o direito de passar por outra perícia e, necessariamente, com outro perito médico! Divulgue essa informação e essa página aos seus familiares, amigos e conhecidos pois nossa intenção é desmistificar o nosso trabalho. Agradecemos pelos comentários e aguardamos o Dr. Eduardo Henrique R. Almeida.

    • Guilherme Pulici claro que cabe ao médico, seja ele perito ou não, dar atenção ao que afirma o paciente (ou requerente). O que não se pode é esperar que o perito necessariamente concorde com o que se pretende. Fosse assim, não precisaria perícia. Entendo que o segurado precisa sair da perícia sabendo que suas alegações foram ouvidas e compreendidas. Isso é direito.

    • Eduardo Almeida foi justamente isso que eu quis dizer! corresponder as expectativas de resultado não devemos! mas devemos sim dar ouvidos! concordo plenamente! A leitora e segurada queixou-se de não ser ouvida, examinada e que seus exames/atestados não foram analisados! o q não podemos concordar, certo?

    • Dr. Eduardo, acredito que o médico que nos acompanha muitas vezes por anos sabe muito mais de nossas condições de saúde e da nossa condição laboral que o perito. Claro que o Perito precisa confirmar isso para o INSS, mas deve levar o laudo médico SEMPRE em consideração e não tirar conclusões precipitadas. Eu antes de entrar em auxilio doença passei por diversos médicos que investigaram maeus problemas de saude mas não conseguiram fechar um diagnóstico exato, até que um especialista no meu problema conseguiu diagnosticar e entrar com medicação correta, e graças a Deus o perito com responsabilidade acatou o laudo médico. Mas nem sempre é assim e aí temos que valer nossos direitos e correr atrás…Abraço

  2. Esse texto do Dr. Eduardo veio em hora certa pra esclarecer as expectativas do público em relação à perícia médica. Obrigado Dr. Eduardo por suas explicações e espero que, a partir deste texto, possamos sanar dúvidas, angústias e desconfianças em relação à Perícia Médica do INSS.

  3. Não compreendo como com o mesmo LAUDO MÉDICO o segurado tem seu benefício negado em uma agência e benefício concedido em outra agência…

    Recorre ao judiciário… E quando, finalmente, passa pelo perito médico da JUSTIÇA FEDERAL o mesmo alega que o segurado encontra-se TOTALMENTE INCAPAZ para o trabalho desde 01/2000…

    Como um períto médico que passou por todos os requisitos alencados acima pelo Dr Guilherme, conseguiu cometer essa "falha" (?), permitindo assim que o segurado ficasse cerca de 6 meses sem receber o seu benefício, quando o mesmo gozava do Direito…

    Fato existente, um amigo meu passou por isso… Até hoje ele não compreende o que aconteceu… (sinceramente, nem eu…)

    - Será que incapacidade laboral é um tanto quanto subjetivo??? Depende de Perito Médico para Perito Médico???

    O que parece é que há uma meta em "benefícios negados" a ser alcançada… Abandonando o interesse coletivo/social… contrariamente ao alegado…

    • Joice, obrigado pelo comentário.Vou tentar esclarecer alguns pontos.Primeiramente, tem que ficar claro o entendimento de que o perito médico não está adstrito em sua decisão apenas ou necessariamente ao conteúdo de um laudo de um médico assistente.Não estou desmerecendo o laudo dos médicos assistentes de maneira nenhuma, apenas tencionando dizer que a decisão final do perito quanto ao quesito: há ou não há incapacidade para o trabalho? é baseada ou, melhor se expressando, subsidiada com base em vários elementos, INCLUSIVE o laudo médico.Muitas vezes o laudo médico é incompleto e não declina informações que são imprescindíveis para se tomar uma decisão.Na maioria das vezes se o laudo médico contiver apenas consignado o diagnóstico do periciado (na perícia não chamamos de paciente, por causa das diferenças explicitadas pelo Dr. Eduardo) não seria possível chegar-se a uma conclusão pericial, pois o perito não é apenas um constatador de diagnósticos, mas um julgador do nível ou grau de incapacidades.Em suma, o perito VALORA DANOS.Portanto, o perito não é um mero homologador de laudos de médicos assistentes.E aí é exatamente onde repousa a complexidade do seu trabalho, pois julgar incapacidades é sim, muitas das vezes, algo subjetivo, embora revestido e fundamentado de todas as ferramentas científicas da medicina, que também não é uma ciência perfeita.Da mesma forma uma decisão judicial, seja para conceder um benefício, seja para negá-lo não é garantia de que a "verdade" foi estabelecida de forma irrefutável, justamente porque o Direito também não é uma ciência puramente objetiva e cartesiana, até porque o Juiz, embora não esteja preso aos elementos do aludo médico, baseia a sua decisão , majoritariamente, na maior parte das vezes, smj, no parecer do perito que ele nomeou.

      Outra razão que poderia explicar aquilo que alegaste é simplesmente o seguinte: as doenças são dinâmicas em boa parte.Isto equivale a dizer que ora encontram-se sob controle e ora se agravam.E este é exatamente o papel complexo do perito: avaliar como está a doença em determinado período, e não somente e simplesmente verificar se a pessoa é portadora de determinada doença, mas sim valorar o dano causado por aquela doença sobre o bem jurídico segurado pelo INSS, que é a capacidade de trabalho.Pode ser que um mesmo requerente vá a uma agência e seja indeferido e dias ou semanas após seja deferido simplesmente porque no momento da perícia o perito constatou (e muitas vezes, talvez a maioria delas) não consta do laudo do médico assistente a valoração do dano ou a sua fundamentação fática (juízo de fato, e não de valor).Pode ser que o perito no exame físico que ele próprio faça no periciado encontre elementos que fundamentem sua decisão, elementos estes que talvez não constassem nem do laudo médico e nem no momento em que o outro perito avaliou.Em suma, o trabalho do perito é uma mistura de ciência, técnica, objetividade, mas também de subjetividade.Isto ocorre porque o ser humano é complexo (e por isto tanto examinados quanto examinadores podem ter julgamentos em graus e escalas diferentes em diferentes momentos).Fazer uma perícia de um prédio que não fala, que não tem sentimentos, que não sente dor, é diferente de fazer uma perícia em um ser humano.Como medir o nível de dor que uma pessoa sofre?Não há réguas para tal.Um mesmo estímulo doloroso de igual tamanho (matematicamente e fisicamente falando) pode ser percebido e sentido de maneira completamente diferente por dois seres humanos diferentes por causa, em suma, de sua resposta neuro-psico-endócrina.Como saber disto em um momento pontual e passageiro como a perícia onde muitas vezes as pessoas não levam um histórico de acompanhamento médico sólido e de longa data, muitas vezes porque a saúde no país é capenga e não é integral nem promove a equidade a não ser com muita demora.Como um perito pode tomar decisões importantes se ele depende do médico assistente para concluir as perícias e se o paciente demora a conseguir marcar uma consulta na rede pública?O desdobramento de todas estas questões é muito complexo e, portanto, a própria perícia também acaba sendo.

      Falar-se em falhas na perícia é complicado, a não ser que o perito deixe de avaliar, de descrever todos os elementos probatórios, deixe de ter nexo entre todos os elementos de prova e a conclusão e deixe de fundamentar a decisão.Falha em relação à conclusão propriamente dita é difícil de se estabelecer desde que o perito tenha fundamentado bem sua decisão.Podem ocorrer, em alguns casos, dúvidas, discussões, devido a complexidade dos casos, que tornam a decisão, digamos assim, mais subjetiva na balança pericial onde muitas vezes o objetivo e o subjetivo coexistem.Não há nenhum estudo científico sobre a questão, mas achamos, por achismo de observações e conversas com outros colegas, que poderia ser esperado “normal” uma taxa de “discordâncias legítimas” ou de “erros” em torno de 10% do total, por causa da complexidade de alguns, não todos, os casos.As decisões na Justiça Federal convergem mais ou menos em torno disto (sem querer dizer também que as decisões judiciais são intocáveis, pefeitas, cartesianas e irrecorríveis sempre).Em torno de 92% das vezes as estatísticas das JEF Brasil afora demonstra que as sentenças judiciais têm sido favoráveis ao réu (INSS) nas instâncias superiores, o que em tese comprovaria o bom trabalho de peritos e Procuradores do INSS.

  4. Eu tbm passei por uma situação parecida com a da Márcia Malagoli. Não comigo, mas com minha mãe, que tinha CA de útero e teve que passar por uma Perícia Médica, pra poder viajar pelo TFD, na minha cidade. O Médico que a atendeu nem olhou pra ela e nem para os exames que nós levamos. Eu me senti um lixo e a minha mãe, na época com 72 anos, além de fragilizada pela doença, ficou muito pior, por ter sido tratada com tanta frieza. Ele autorizou a viagem para outra cidade para o tratamento, mas o mais importante ele não fez, que seria a humanidade para com o próximo. Ela veio a falecer e eu tenho essa mágoa, até hoje.

    • Francisca, lamento pelo que ocorreu com tua mãe e quero emprestar-lhe meus sentimentos de condolências.Esta coluna jornalística trata de perícias médicas de um modo geral, mas o nosso foco maior é na área previdenciária.A perícia médica é um amplo campo de conhecimento dentro da área de medicina legal, ou seja, na interface da medicina com o Direito como explicou o Dr. Eduardo.Normalmente, o perito faz a perícia para que uma autoridade decida com base em sua conclusão ou parecer.No caso do INSS a autoridade que requer a perícia é o presidente do INSS, para o qual o periciado requer o benefício, do qual a perícia é apenas parte componente na análise.É por isto que ocorre às vezes de um requerente "passar" na perícia médica, mas ter o seu requerimento indeferido, pois podem ocorrer outras razões não estritamente médicas (que chamamos administrativas, pois remetem ao Direito administrativo disposto nas leis e normas previnciárias).Não conheço praticamente nada, sou quase leigo na verdade, sobre os critérios para encaminhamentos de pacientes pelo TFD.Não sei se há normas ou critérios legais a serem seguidos nestes casos.A única coisa que, genericamente, poderia lhe dizer é que uma BOA perícia compõe-se de várias partes, segundo o próprio Dr. Eduardo Henrique, autor deste artigo, a saber:

      1-Identificação (nome, NIT, RG, CIC, idade, profissão, tarefas e atividade, história contributiva etc)
      2-Alegações de requerente.
      3-Elementos probatórios (exame físico, manobras semióticas, exames complementares, pareceres, sumários de alta, prontuários, PPP etc)
      4-Análise (aqui a fundamentação que sustenta a conclusão por integrar os elementos colhidos com os fundamentos médicos e com a legislação vigente)
      5-Conclusão (sentença ou julgamento do perito que acumula a função julgadora do valor capacidade laboral)

    • Rodrigo Santiago Eu agradeço a sua atenção em me esclarecer algumas dúvidas. Na realidade a minha mãe não passou por uma perícia previdenciária, mas pela perícia do TFD, que se dizia uma junta médica (de um Médico só), que parecia mais um monstro. Mas eu quero é esquecer tudo isso e tocar a vida em frente. Cada um que pague pelos seus erros. Obrigada, mais uma vez e boa noite.

    • Francisca Paiva não temos como julgar a técnica utilizada pelo TFD pois pode haver legislação específica para este serviço mas, realmente, NADA justifica a frieza em tratar qualquer ser humano, seja ele paciente, segurado, cliente…. eu me sinto igualmente revoltado quando sou tratado desta maneira seja no banco, no supermercado, no restaurante, etc. Me solidarizo a sua queixa e compartilho da mesma indignação. Educação e bons tratos cabe a qualquer ser humano. Assim como o Dr.Rodrigo Santiago manifesto minhas condolências por sua querida mãe e pelo ocorrido.

  5. Márcia, obrigado pela participação.Um dos nossos objetivos nesta coluna é exatamente estabelecer esta interação com os leitores para dirimir dúvidas e trocar experiências mútuas – também nos importam as opiniões e percepções dos segurados ou sociedade em geral sobre o tema, que coincide de ser nosso trabalho.

    Em relação às suas alegações de que “ o médico nem olhou para mim, meus exames e atestados…” não sei até que ponto vc estaria utilizando-se de uma força de expressão ou perpassando um retrato, digamos, com “tintas mais carregadas” ou se seria apenas um modo de dizer.Tenho a dizer-lhe o seguinte: toda perícia é diferente de outra, do mesmo modo que todo perito é diferente de outro.No seu caso, por tratar-se de um pedido de prorrogação presumo que as queixas e motivações que geraram a primeira perícia sejam idênticas ou ao menos similares às do PP(pedido de prorrogação).Normalmente (quase sempre) as primeiras perícias (que chamamos de Ax-1) são em média mais demoradas e mais trabalhosas do que as seguintes do PP ou PR.Isto se dá por uma razão muito simples: na primeira perícia o perito não dispõe de nenhuma informação para subsidiar sua análise, portanto o procedimento tende a ser mais demorado a fim de que o mesmo anote todas as alegações e elementos probatórios apresentadas pelo examinado (exame físico, exame semiótico, exames complementares, pareceres, atestados, prontuários, etc).É claro que depnde do caso, mas em geral é assim, o que tende a tornar a análise do PP mais célere, haja vista que o objetivo do PP passa a ser o de constatar se os motivos geradores da concessão inicial ainda continuam presentes ou não.Em resumo, o que o perito necessita neste momento do PP é saber sobre o ESTADO ATUAL da saúde do requerente.Doenças são dinâmicas e, portanto, uma determinada patologia pode ter gerado o direito a um benefício há um tempo atrás, mas não mais hoje em dia, por ter saído da fase de agudização e por ter se tornado (no julgamento do perito) compatível com o exercício da atividade laborativa da pessoa.

    Não sei se foi isto o que ocorreu com vc, mas eu diria que seria muito difícil um perito não olhar para a pessoa, para exames ou atestados, embora não impossível.Por exemplo, se vc não levou nenhum novo elemento probatório no PP, se todos tiverem sido idÊnticos aos já apresentados em Ax-1 pode ser que o perito tenha dado uma olhada rápida (e portanto constatado que aqueles elementos já constavam consignados em perícia prévia (Ax-1), e logo ter lhe devolvido os exames e atestados, dando-lhe a impressão de que ele sequer os tenha lido ou dado importÂncia.Não sei se este teria sido o teu caso.Estou especulando apenas.Acho, porém, que depois da primeira frase que o perito deva dizer para todo mundo que entra em sua sala:” Bom dia!” e depois de pedir o requerimento de marcação do exame e uma prova de identidade do periciando, a próxima pergunta deveria ser: “o senhor(a) teria atestados, exames, receitas ou qualquer outro documentos médico-legal que gostaria de apresentar?”.Não estou duvidando do que dizes, só acho que se isto ocorreu é algo raro (pelo menos em nossa realidade aqui no Acre, pois conheço o trabalho da maioria dos peritos e tenho percebido nos últimos anos uma melhoria substancial na técnica e qualidade dos laudos, como disse o Dr. Guilherme).Em suma, o próprio rito pericial tornaria difícil que o perito procedesse da maneira alegada pela senhora.Difícil, mas não impossível.

    Outra coisa: cada caso pericial é um caso.Há casos em que o perito decide rapidamente em menos de cinco minutos e já há outros casos extremamente complexos que demoram horas ou às vezes dias para serem decididos.O Código de Processo Civil dá ao perito a prerrogativa de um prazo de dez dias para poder entregar a conclusão do seu laudo pericial.E algumas vezes o perito anota todos os elementos probatórios apresentados pelo requerente e decide dias depois, após discutir o caso com colegas, após ler literatura médica para dirimir suas dúvidas.O fato de o perito não lhe dirigir uma palavra sequer também seria algo muito pouco frequente, mas não impossível, já que, como expliquei, o próprio rito pericial exige que se pergunte NO MÍNIMO se a pessoa trouxe os supra-aludidos elementos probatórios.

    Como disse o Dr. Guilherme a senhora poderia, antes de recorrer à JF, ter tentado esgotar os recursos em âmbito administrativo.Existem várias modalidades de recurso no INSS (abordaremos futuramente esta questão em um tópico) como os PR, juntas médicas, novos Ax-1(que podem ser em número equivalente a tantos quantos forem os peritos a trabalharem em determinada APS-Agência da PrevidÊncia), revisão analítica e JRPS (instância superior que, no caso do Acre, fica em Rondônia).

    No caso dos exames diagnósticos de outros profissionais esta é uma questão complexa e que irá merecer um tópico a posteriori nesta coluna, mas em apertada síntese eu diria, a título de esclarecimento que: o perito médico é o único que tem a prerrogativa legal de definir incapacidade e, portanto, reconhecer direitos a benefícios por incapacidade no Brasil por ora.Portanto, ele pode discordar, divergir e até encontrar algumas vezes, que não são tão frequentes, mas também não são tão raras, atestados falsos OU graciosos dos médicos assistentes.Cabe ao perito ser o fiel da balança e a lei lhe garante este direito.Mas, a coisa mais importante a dizer é que na maioria absoluta das vezes o perito NÂO discorda do médico assistente, mas muitas vezes somente o atestado daquele médico não é por si só suficiente para o perito tomar decisão e concluir uma perícia, seja porque as informações de que ele necessita não constam do atestado(por exemplo, às vezes o atestado de alguém que tem lombalgia só consta isto e mais o tratamento que a pessoa está fazendo, e somente isto não é suficiente (embora o perito concorde com o diagnóstico e tratamento em seu íntimo) para decidir se há ou não incapacidade para o trabalho.Muitas vezes o que decidirá – ou o elemento preponderante para a decisão dentre todos os apresentados – será o exame físico que ele realizar na sala de perícias, porquanto este exame lhe fornecerá elementos que não constavam no atestado, mas que eram imprescindíveis para se fazer o julgamento quanto a incapacidade laboral.

  6. NOMEIO DEZ DIFERENÇAS ENTRE O ESPECIALISTA MEDICO E O PÉRITO MÉDICO

    Médico assistente:

    1 Envolve médico e paciente com mesmos interesses

    2 Relação de empatia e confiança

    3 Há liberdade de escolha por parte do paciente

    4 Procura estabelecer diagnostico para prevenir doença ou restabelecendo a saúde

    5 E responsável pelo tratamento da patologia

    6 Os dados fornecidos devem ser registrados e analisados como um todo Fechando se o leque , para melhor abordagem diagnostica e prognostica

    7 O relato do paciente tende na maioria das vezes a fatos mais próximos a verdade

    8 Envolve segredo profissional, podendo o mesmo ser divulgado somente com autorização do paciente ou representante legal

    9 O medico em questão se baseia na anamnese , exame físico e exames complementares tradicionais, visando o paciente em primeiro plano

    10 Formação habitual com conhecimentos propedêuticos e terapêuticos

    Médico Perito:

    1 Envolve perito e periciado, podendo ter interesses divergentes

    2 Relação de desconfiança e resistência envolvendo questões legais

    3 Não há liberdade de escolha por parte de segurado apesar do contrario não ser verdadeiro

    4 Procura estabelecer fatos através de diagnostico já montado para estabelecer um relato judicial, legal, ou administrativo

    5 É responsável por analisar o grau de incapacidade da patologia

    6 Os dados fornecidos podem ser focados somente em dados relevantes para fins periciais, orientando o segurado que dados subjetivos deverão ser levado ao medico do mesmo para avaliação adequada

    7 Tendência a simulação, supersimulação e até mesmo a dissimulação

    8 Os pareceres são públicos, haja vista que o perito habitualmente é demandado em sua atividade pericial por alguma autoridade, seja administrativa ou judicial (exceto quando determinado pela justiça), à qual compete comunicar o resultado do requerimento do benefício que depende em parte da perícia médica e em parte do cumprimento de requistos legais. * modificado em parte por mim este item

    9 O perito procura e analisa distorções entre a anamnese, exame físico e exames complementares tendendo a procurar falsos positivos; visando em primeiro lugar os fatos

    10 Formação adicional com técnicas para identificação de falsos positivos além de conhecimentos específicos de medicina legal, medicina do trabalho, além de familiaridade com a legislação especifica com a qual atua.

    Um grande abraço

    Helbert Zanon
    CRM MG 39507

  7. Acho a materia muito exclarecedora, porem eu questiono na pratica desculpe + minha irmã digita pra mim e ambas somos s/analfabetas, recebo uma tutela antecipada a +- 4anos recebia a 4anos da p/ previdencia, a diferença de educação da pericia do inss p/a judicial e gritante ninguem fica te bajulando + baseia em exames te pergunta c/ respeito, enfim vc e tratado como gente , tenho pesadelos qndo me lembro dos peritos da previdencia, eu era considerada o braço direito da minha chefe, eu tinha o maior orgulho disso.e na previdencia fui chamada atè de vagabunda dizia q dor e subjetiva…e muito +tenho 56anos sou aux:de enfermagem p/amor sò q fiz 9cirurgia no meu MSD e tenho oMSE comprometido, tentei reabilitação meus membros pioraram e ouvi de um perito vou dar +6meses se não sarar vai de alta prq a previdencia ta falida me deixando sò o caminho da justiça passei fome esperando 8 meses s/receber…! alem disso estou c/ complicações cardiacas de tanto medicação…!sò exclarecer teoricamente não vai ajudar gente seria como eu tenho 56 anos doente e depressiva.com certeza sonhei me aposentar c/ saude e usufruir + odestino me impediu talvez s eu carregar saco de cafè nas costas c/ 7anos de idade p/ ajudar meu pai sustentar meus irmãos me ajudou a ficar doente +cedo essa a pratica q questiono!.desculpe o desabafo…!espero resposta …

    • Eva, são muito oportunos teus questionamentos, pelo que agradeço a chance de esclarecê-los o melhor possível.Quero deixar claro aqui em primeiro lugar que é impossível – seja por limitações técnicas/indisponibilidade de informações , dados semiológicos e outros, seja por uma razão meramente ética – emitir juízo acerca de um juízo de outro julgador.Em outras palavras eu quero dizer que eu somente poderia dizer-lhe com maior precisão, embasamento e fundamentação, observando a ética e legalidade, se o teu descontentamento com a decisão administrativa de um perito do INSS teria (ao meu ver) razão TÉCNICA-CIENTÍFICA de ser.

      Veja bem: em relação à dor reitero que ela é mesmo algo subjetivo e que nem sempre POR SI SÓ é incapacitante.O fato de dizer que a dor é subjetiva não significa nem que não iremos levar em conta a queixa do periciado no que tange à sua intensidade e frequência e nem que iremos basear a nossa avaliação acerca da ponderação do quantum doloroso em um mero achismo de nossa parte.O que vai fazer a diferença na avaliação do perito é o conhecimento da história natural da doença, do estado atual da doença (aqui entra o exame físico e outros exames) e da profissão de quem sente dor.Estes seriam, portanto, elementos objetivos, os quais, após serem cotejados com os elementos subjetivos (os quais são aduzidos mediante a anamnese e queixa do periciado) fornecem um julgamento (veja bem o porquê da complexidade da perícia) acerca do valor chamado INCAPACIDADE.

      Vou dar-lhe, genérica e hipoteticamente um exemplo: um jornalista com uma fratura estável, alinhada e sem vícios de consolidação do metatarso cujo tratamento curativo foi conservador (sem fixação interna ou externa da fratura) pode e vai (ninguém duvida) sentir dores até seis meses após a ocorrência da fratura.É claro que quanto maior o tempo em tese menor seria a dor.Isto não significa que ele tenha que ficar seis meses recebendo o benefício.Normalmente, este jornalista já estaria apto a voltar para o trabalho após cerca de dois ou três meses, em média.Agora, se toda esta fratura em condições similares de estado e de tratamento tivessem ocorrido em um trabalhador rural, por exemplo, o tempo de afastamento em média do trabalho ( e de percepção do benefício previdenciário) seria de quatro a seis meses, em média.Existe alguma fórmula para isto? Não!A perícia médica, não somente no Brasil mas no mundo, carece de estudos científicos para correlacionar todas estas variáveis e determinar um tempo mais próximo do que seria o justo de incapacidade e de benefício.O tempo concedido é muito baseado no mundo inteiro na discricionariedade com base técnica do perito, às vezes em baremos, e na medicina baseada em evidências, que não tem muita base científica strictu senso, pois é baseada mais na experiência individual ou de um grupo.

      Faltam estudos verdadeiramente científicos tipo dupla coorte randomizados e prospectivos para se determinar com maior precisão o tempo estimado de incapacidade para cada doença X gravidade da doença X gesto laboral.Neste sentido a avaliação de incapacidade tem uma certa margem de erro natural por tratar-se de algo complexo e difícil algoritmização (para mais e para menos – ocorre que o para mais ninguém comenta).

      Não entendi a parte que vc falou sobre a diferença da perícia do INSS para com a judicial quando disse que ninguém fica te bajulando.Como assim bajulando?A seguir vc diz que a perícia judicial se baseia em exames.Bom, se bem entendi ou inferi o que vc quis dizer, posso dizer que é muito temerário um perito que somente decide uma perícia baseado apenas em exames,Como eu já disse no terceiro artigo que escrevi a decisão final do perito baseia-se em vários elementos cujo peso e ponderação variam dependendo da doença, do estado da doença e da profissão.Por exemplo, para alguém que tenha uma doença ocular a decisão pericial irá se basear quase que 100% no atestado do médico assistente ou nos exames complementares.Já para alguém acometido de hérnia de disco a decisão basear-se-á em outros elementos acerca da valoração do dano incapacidade.Isto, entretanto, não quer dizer que o perito tenha que desprezar ou deixar de ver e de anotar no laudo pericial todos estes elementos.Apenas digo que na ponderação quanto à decisão final sobre a incapacidade vai variar o peso RELATIVO de cada um dos elementos.Outra coisa em relação a este mesmo item é o seguinte: duvide do perito que não conversa, não pergunta e não desconfia nunca.Em determinados casos não é preciso conversar e nem desconfiar porque são claros e absolutamente verossímeis.Mas, já há outros casos, a depender da doença, da quantidade de provas trazidas ou não ao exame pericial e também do periciando, que é natural que isto ocorra.É natural que enquanto o perito não tiver convicção a respeito do julgamento de incapacidade, o que pode ocorrer até por uma falta de capacitação ou experiência do próprio perito, e não apenas por desconfiar, ele faça as perguntas que achar necessárias para ter maior segurança em decidir.O perito fica entre a cruz e a espada, não é um trabalho fácil, afinal se ele indefere em tese injustamente causa indignação no periciado, mas se ele defere em tese injustamente pode ter que se explicar na auditoria interna do INSS.

      Não sei o que vc quer dizer exatamente quando diz que o perito judicial pergunta com respeito.O que seria perguntar sem respeito? Simplesmente perguntar ou perguntar mais ou menos eu acredito que não seja desrespeito.É claro que ninguém gosta, é natural, de estar nesta situação, mas este é o papel do perito, e se este quiser fazer o seu papel corretamente tem que perguntar até se convencer quanto a sua decisão de forma a fundamentar com nexo sua decisão.E isto varia de caso para caso.Em relação ao ser chamada de vagabunda é um absurdo que merece ser condenado, pois isto jamais pode ocorrer e deve ser repudiado.Embora não seja o teu caso nós sabemos de casos no Brasil de pessoas que mentem, caluniam e agridem os peritos simplesmente porque tiveram o seu pleito indeferido, fato que também deve ser repudiado e que não se justifica.O deferimento ou indeferimento de um requerimento não é PESSOAL, aliás se fosse algo pessoal seria dever do perito declarar-se impedido de realizar a perícia e de julgar o feito.

      Portanto, como o indeferimento não é algo pessoal, as pessoas não podem agredir física ou moralmente os peritos ou mesmo generalizar uma acusação.Cabe às pessoas que tiveram ser pleito indeferido recorrer, marcar perícias com outro ou outros peritos ou mesmo recorrer à justiça como fizeste.

      O perito JAMAIS pode justificar o indeferimento de um benefício dizendo que a Previdência está falida (até porque AINDA não está).Mas, uma das CONSEQUÊNCIAS DIRETAS do ato pericial bem praticado é o de ordenar os gastos públicos no sentido do BEM GASTAR, haja vista que a Previdência é pública e o deferimento sem critérios ou indevido de um benefício pode pesar na balança futura de sustentabilidade da mesma e prejudicar – como já vem prejudicando hoje em dia (vide aumento da idade para aposentadoria, vide alteração do fator previdenciário, vide criação da previdência complementar)- aqueles que contribuíram para a Previdência e que podem ter ameaçados ou restringidos os seus direitos no futuro.Na medida em que se aumenta a idade para aposentadoria ou se restringe a possibilidade de pensões a critérios (como pretendem fazer em projeto de lei) há diminuição dos benefícios da Previdência em comparação ao que hoje existe, além de aumentar a pressão sobre a perícia médica por aumentar a base de contribuintes “descobertos”.

    • Olá Dr: Rodrigo,fiquei muito honrada c/ sua resposta+ preciso exclarecer ,as pericias judiciais q conheço não e so o q disse anteriormente não demora cerca de 1:30h+-diate de tanta atenção de sua parte devo afirmar,aconteceu a 5anos esse perito estava iniciando e teve atè caso de policia sim,e grande o numero de segurado q buscam a justiça e q tambem reclamam da falta de educação dos peritos q democraticamente merece atenção.Processar doutor e dificil precisa testemunha p/ fundamentar a denuncia,e vc sabe q o segurado não tm siquer o direito a um acompanhante na pericia.Tem sim a cada 2 metros de parede um cartaz (desacato ao funcionario publico e crime 6meses à 2anos de prisão artigo 331 etc:)Anuncia-se q e preocupante o numero de auxilio doença crescendo ac/ dia, porem a previdencia não fiscaliza aposentadoria p/ invalidez e auxilio consedido internamente conheço algumas a+ de 20anos consedida q nunca foram questionada.Então fortalece o dito popular q se os medicos pensam q são Deus o perito da previdencia tm certeza …!Me desculpe + entre as areas do funcionalismo publico a previdencia tm os melhores salarios,não q não mereça não digo isso + passa a impressão q e de proposito para q vistão a camisa e defendão a instituição a qlqr custo.Por eu ter sede de informação me procuram p/ cabo eleitoral pela esperiencia q passei,e tb segurados me procuram e eu não quero ser injusta c/ ninguem,prq e grande o numero de advogados nas portas das unidades da minha região.qnto a situação da prev/ ta lá no google q o deficit da previdencia e o maior mito q a Anfip enfrenta…!+ uma vz obrigada p/ atenção dr:Rodrigo Abraço…

    • Eva, tenho a ponderar o seguinte: o tempo de duração de uma perícia é muito variável e não tem como ser determinado de antemão, vai depender da complexidade demandada por cada caso, o que, por sua vez, depende de vários outros fatores que subsidiam a convicção do perito acerca da decisão que deve ser tomada.Enquanto o perito não tiver convicção acerca do fato e de sua decisão não poderá decidir.Há perícias mais fáceis que podem durar 10 minutos e outras mais complexas que podem ultrapassar as 02 horas de duração.

      A atividade de perito é conflituosa per se e não é apenas a falta de educação dos peritos – que pode eventualmente ocorrer como com qualquer outro profissional – que explica esta situação.Existem muitos periciados mal educados também, que gratuitamente cometem crimes contra os peritos, desde injúrias, intimidações, desrespeito até a agressão física.A falta de educação previdenciária da população acerca dos seus deveres e acerca do verdadeiro papel dos peritos é uma das principais causas disto.Um dos objetivos desta coluna é mitigar esta lacuna e fornecer informações aos cidadãos que contemplem não apenas os seus direitos, mas também os seus deveres.Erros podem ocorrer, mas somente quem pode julgar a conduta de um médico é outro médico.Não é justo e não justifica que os peritos sejam agredidos e enxovalhados regularmente pelo país apenas porque as pessoas não tiveram seu pleito deferido.O caminho não deve ser este.O caminho é entrar com recurso, marcar perícia com outro perito ou mesmo entrar na justiça.
      Em relação ao acompanhante nas perícias: o acompanhante nas perícias somente se justifica quando o periciado necessita deste.

      Há um Parecer do CFM cujo número é 1882 de 2006 que discrimina quem é permitido como acompanhante nas perícias.Em síntese este parecer estabelece que a presença de acompanhantes deve restringir-se ao médico assistente (ou qualquer outro médico que queira ou possa acompanhar o periciado, que seria o assistente técnico), ao representante legal quando o segurado for incapacitado de se expressar ou quando for menor de idade.O parecer determina ainda que cabe ao médico autorizar ou desautorizar outras presenças além do examinado, sempre identificando-o no laudo.Alguns periciados fazem-se acompanhar de advogados, agenciadores de benefícios ou representantes sindicais durante o exame numa clara tentativa de pressionar o perito para obtenção do benefício.Muitas vezes o acompanhante está ali apenas para dar um amparo físico ou psicológico, mas há casos em que a tentativa de pressionar o médico fica evidente.Perícia não é uma consulta, mas um ato médico-pericial e, portanto, todo tipo de influência externa deve ser coibida.Fica facultado ao médico permitir ou não a presença de acompanhantes.

      O STF tem entendimento sobre este assunto no sentido de que os advogados não têm direito de presenciar as perícias no agravo regimental 3414, considerando existir inaplicabilidade da súmula 343 do STJ.
      “ Já firmou entendimento, o STF, no sentido de que, "se as partes não podem intervir na
      nomeação dos peritos, com maior razão não podem intervir na perícia" – RHC 54.614, DJU
      18.02.77, P. 88750. Também firmou entendimento, no sentido de que "o defensor não tem o
      direito de presenciar a elaboração do laudo pericial, uma vez que o certo é não estar presente a
      tal ato. O princípio do contraditório, no que respeita à perícia, não passa de faculdade,
      conferida ao réu, de discuti-la nos autos e não de intervir nela – RTJ 59/26651, RT
      429/40252 “.

      Na imensa maioria das vezes o acompanhante não irá contribuir para nada em relação à perícia do ponto de vista médico-legal, e, pelo contrário, poderá atrapalhar.Às vezes é importante o relato de algum acompanhante acerca de alguns aspectos periciais, na qualidade de informante a maioria das vezes, a fim de auxiliar o perito na formação de sua convicção.Nestes casos o que o perito faz na maioria das vezes é pedir que o acompanhante aguarde fora da sala de perícias, chamando-o em um segundo momento para conversar com ele sobre a patologia do periciado.Mas não é sempre que há esta necessidade.Vai depender de caso a caso e isto só quem pode decidir é o perito, porque são analisadas questões técnicas e legais neste caso.

      O cartaz com os dizeres existe sim e apenas representa os termos da lei.Por mais que a imprensa no Brasil não divulgue existe sim desacato a servidores públicos, e não é muito raro não este fato, apenas pouco difundido.E da mesma forma que o usuário dos serviços públicos exigem respeito e urbanidade, assim também exigem aqueles que os atendem.

      Você está corretíssima quando diz que existem pessoas recebendo aposentadoria há 20 anos e que o INSS não fiscaliza o cumprimento da lei nestes casos.A lei diz que toda aposentadoria por invalidez deva ser revista a cada 02 anos, mas o INSS quase nunca cumpriu esta lei.Certamente, existem muitas pessoas percebendo indevidamente benefícios, prejudicando o contribuinte honesto e onerando a Previdência.Mas isto pouca gente da imprensa fala.Talvez a questão política e a cultura paternalista daí advinda seja o maior entrave para isto.

      O perito do INSS é um julgador de direitos.Um desembargador de MG disse que no INSS os peritos são os juízes do fato, haja vista que sua perícia é decisória, diferentemente da perícia feita por um perito na justiça, que apenas subsidia decisão do Juiz de Direito.Não acho que os médicos pensem que são Deus.Pelo contrário, somos frágeis porque a pressão social e a exigência e complexidade intensa do nosso trabalho nos deixam assim.Agora eu te pergunto: quem mais poderia fazer perícias para avaliar incapacidade ao trabalho causada por doenças se não fosse um médico?
      Em relação aos salários eu acho que todos os servidores do INSS – não só os peritos – devem ganhar um dos melhores salários do funcionalismo público por várias razões.E todas estas razões cumprem em alto grau com o disposto no artigo 39 da CF.

      A concessão de benefícios envolve análises bastante complexas muitas vezes que exigem muito boa formação, exige frieza para suportar a enorme pressão social.Quem trabalha no INSS ordena, indiretamente, dezenas de bilhões de reais por ano, sendo o INSS a maior seguradora da América Latina.Em relação ao salário dos peritos a remuneração é baixa para todas as exigências que se impõem aos mesmos.Prova disto é que a Carreira dos Peritos é hoje em dia aquela que tem o maior índice de exonerações a pedido do serviço público.As condições de trabalho, os riscos e responsabilidades não conseguem manter os médicos, transformando a Carreira naquela com o maior índice de rotatividade do serviço público hoje em dia.Não se forma um bom perito da noite para o dia, mas o governo insiste em não valorizar a carreira e quem paga o maior preço é a sociedade.Nosso caminho para a espanholização da Previdência está traçado e se nada for feito daqui a poucos anos assistiremos a quebradeira do país.

      Quanto a déficit da Previdência depende do ponto de vista.Você sabia que o Brasil é o primeiro ou segundo lugar no mundo quando se trata da alíquota paga pelos contribuintes para subsidiar sua Previdência Pública?E como pode haver déficit?Bom, se for analisado estritamente a parte seguradora da Previdência (aqueles que contribuem para receber) não haveria déficit ainda, apesar de não haver muita folga também.O problema ocorrerá com o envelhecimento da população.O déficit hodierno existe quando se colocam na rubrica da Previdência outras contas que, strictu sensu, não são previdenciárias.

    • Dr. Rodrigo, some-se a isso os desvios e roubalheiras e podemos antever a quebradeira. O Problema do Brasil e da Previdencia não são os velhos e doentes, mas os ladrões, corruptos e enganadores. E me refiro também aos periciados que tentam iludir os peritos com dores inexistentes… Enfim o problema maior do Brasil é moral. Agradeço e parabenizo pelo valoroso Acre.com.

    • Sim,Edjane; você pode solicitar uma perícia a qualquer momento e solicitar, voluntariamente, que seja antecipada a data de cessação do seu benefício.Obviamente, dependerá da avaliação e do convencimento do perito quanto ao seu pleito.

  8. uma coisa é o perito desconfiar, outra é dar diagnosticos desfavoraveis com inrresponsabilidades, se tem laudo de um proficional qualificado e o segurado afirma esta com problemas, não pode pelo simpres fato de desconfiar o segurado sair no prejuizo, se tem fraude que sejam responsabilizados, mas se não tem e existe duvidas, tem de ser investigado pela policia e não por um proficional que não foi capacitado para o problema que o segurado tem!

    • Marcos, o perito não faz diagnósticos, ou pelo menos em tese esta não deveria ser sua atribuição.Isto só ocorre quando o periciado não fez adequado acompanhamento médico com seu médico assistente ou quando este não forneceu todas as informações necessárias à avaliação do perito (desde que o perito disponha de meios para se chegar a um diagnóstico).

      Infelizmente, nosso sistema de saúde é muito precário, e muitas vezes o cidadão chega à perícia sem apresentar nada (nem atestado, nem exames, nem prontuários).Se o perito, com base na anamnese ou exame físico, ou outros exames e pareceres que lhe são facultados de pedir consegue chegar a um diagnóstico, não lhe é proibido fazer.Mas, o certo seria sempre o periciado chegar munido de todas as informações necessárias para que o perito faça seu julgamento.E neste caso, o perito não decide baseando-se apenas em um diagnóstico, afinal o que o perito avalia é a incapacidade, e não a doença ou diagnóstico.

      Não é por ter um ou outro diagnóstico que alguém terá direito ou não a um benefício por incapacidade.Vai depender da gravidade daquela doença naquele indivíduo que exerce determinada atividade laborativa.O bem jurídico segurado pela seguradora INSS não é a saúde do cidadão, mas a capacidade laborativa do trabalhador segurado.

      Quem pode dar não só diagnósticos desfavoráveis, mas também fornecer outras informações desfavoráveis para subsidir decisão sobre direito a benefícios não é somente o perito (é claro que isto pode ocorrer sim na perícia), mas também o médico assistente.Chamamos a isto de atestado médico gracioso que, a grosso modo, é quando o médico assistente exagera no diagnóstico ou na sua gravidade, sendo tendencioso para favorecer um cidadão na perícia médica ou em qualquer outro direito a ser pleiteado por alguém.

      Isto ocorre muitas vezes porque o médico assistente não quer se indispor com a pessoa, muitas vezes depende do paciente para sobreviver, e nega-se a confrentá-lo, preferindo expor o perito a uma situação constrangedora de ter que divergir (às vezes frontalmente) do seu diagnóstico, da gravidade da doença ou do seu parecer sobre direito a qualquer benefício que o médico assistente tenha indicado ou sugerido.

      Lembrando que a lei garante ao perito a prerogativa exclusiva para decidir se há ou não incapacidade laboral.Portanto, o perito pode, sim, discordar do médico assistente, desde que fundamente sua decisão com bastantes argumentos no seu laudo pericial.

      Muitas vezes o médico assistente emite parecer sobre incapacidade laborativa sem justificar, técnica e cientificamente, o porquê daquilo.O perito também é médico e tem a prerrogativa de discordar e divergir, repito: fundamentadamente, do parecer do médico assistente, mormanete quando este não tem a menor fundamentação.Estes não são casos de polícia, mas não há uma fraude de fato, mas dizemos que há uma fraude ideológica.Normalmente, são encaminhados ao CRM para avaliar se há infração ética por parte de seu emissor.

      Há os casos de polícia, que são aqueles casos de fraude de fato: quando não foi o médico que emitiu atestado, quando há rasura de datas, falsidade ideológica, atestados emitidos por médicos sem inscrição no CRM.Estes, sim, são os casos de polícia.

  9. Boa tarde a todos! Estou em auxilio doença há 2 anos. Tenho algumas doenças degenerativas nos ombros, joelhos, e coluna (artrose) que já comprovei ao INSS com diversos exames e laudos os quais mostram agravamento com o passar do tempo. Desenvolvo juntamente um quadro de Fibromialgia que vem piorando ao longo do tempo mesmo com tratamentos. Minhas condições laborais são nulas, mesmo para os mais leves trabalhos. Este quadro de Fibromialgia é dificil de comprovar ao perito uma vez que não temos exames acessiveis para isso aqui na região. Pergunto como poderia ser comprovado este quadro ao perito? E caso comprovado e somando-se ao restante das doenças, seria possivel transformar o auxilio em aposentadoria por invalidez? Desde já agradeço pela atenção.

    • Boa tarde, Jaime!

      O auxílio-doença pode ser transformado em aposentadoria por invalidez a qualquer tempo, sem que o periciado necessite, obrigatoria ou formalmente, de fazer tal requerimento, bastando que o perito convença-se de que o mesmo cumpra os requisitos necessários para esta transformação da espécie do benefício.

      De modo geral para que o perito sugira aposentadoria por invalidez é necessário que ele constate a presença de invalidez.A invalidez é conceituada como uma incapacidade total, permanente (ou indefinida), multi ou omniprofissional, e que seja insuscetível de reabilitação profissional.

      Não tem como eu emitir um julgamento correto e específico sobre seu caso em particular, porquanto para isto eu precisaria periciá-lo.Ao perito não compete apenas constatar a presença ou ausência de doenças, mas, principalmente, valorar o seu dano.Em tese, todas as doenças poderiam ensejar direito à aposentadoria, da mesma forma que todas as doenças poderiam não ensejar direito a nenhum benefício.Tudo dependerá do grau que aquela doença encontra-se e de como isto impacta na atividade laborativa da pessoa.Mas, de um modo geral, posso dizer-lhe o seguinte: a fibromialgia é uma doença cujo diagnóstico é firmado precipuamente na anamnese e exame físico da pessoa, pois não existe nenhum exame complementar laboratorial ou imaginológico capaz de auxiliar o diagnóstico.Trata-se de uma patologia cujo diagnóstico dá-se quase sempre por exclusão, além da história de insônia e da avaliação dos “trigger points” a grosso modo e sem delongar-me muito na matéria.

      Este quadro poderia ser comprovado ao perito através de atestados médicos, prontuários de acompanhamento do paciente, receitas.
      Mas, mesmo no caso em que o periciado não mostre ao perito nenhuma prova documental oriunda de um médico assistente, o próprio perito pode comprovar esta patologia e firmar este diagnóstico no momento em que estiver fazendo a perícia.É claro que esta não é uma situação ideal e pode deixar o perito até intrigado pelo fato de ter sido ele (o perito) o primeiro médico imbuído a chegar a tal conclusão, quando sabemos que a priori esta função caberia ao médico assistente.Afinal, quem está doente e, mais ainda, incapaz, quase sempre deveria ter procurado um médico assistente, seja em um hospital ou unidade de saúde.

  10. ola boa tarde!!! eu também na primeira pericia o médico não pediu nem um emame somente o aludo médico !!! na segunda pericia médica ela deu deferimento e retorno ao trabalho amanhã ! mais como as pericia são prolongadas então ja fazem quatro meses sem receber e agora vou receber todos esses meses para tras?

  11. Até concordo no que diz respeito a tratamento ou consulta ! Porém o médico perito deveria dar bom dia, olhar os laudos dos médicos assistente, examinar o periciando e não vislumbrar o que se passa na mente dele e exorcizar os pacientes como se fossem animais…..

  12. Além de mal educados, os Peritos nivelam todos por casos, pelos de doentes que tentaram ludibriar a Pericia. Vocês tem que se ater aos exames e laudos e não ficar tirando conclusões pela cara do periciado!! Outra coisa é preciso com urgência que as Pericias sejam gravadas em vídeo e áudio, para servirem de provas, tanto para o INSS como para o Previdenciário. Colocaram os Peritos em papel de Deuses, onde definem o futuro de um trabalhador e muitas vezes sua família em questão de minutos…Absurdo o que acontece nestas perícias do INSS…

  13. eu sou uma vitima de perito ja passei duas vezes na pericia do inss nao recebir o perito errou a data e assim deixei se ser segurado agora fiz outra pericia na justiça federal o perito mudou meus laudo e colocou o dele meu cid 10 f201.33.3 20.31 42 f31.6 f33.3 ele nao colocou meusrelatorio o dele e esse34 .6 e mer prejudicou como voces e perito poder mer dizer com meus cid tenho direito em auxilio doença agradeço pela desposta

  14. Também estou indignada com sérios problemas de saudê como DEPRESSÃO, E PENEIA DE SONO ,
    CORAÇÃO INCHADO E FRACO NA FILA DE TRANSPLANTE , PASSEI PELO PSIQUIATRA MAU DEIXOU ME EXPLICAR ,MUITO RUDE, NÃO DEIXOU NEM SE QUER ENTRAR COM MINHA BOLSA LA ESTAVA OS REMÉDIOS E RECEITAS ..QUE FICO MUITO NERVOSA ESQUEÇO TUDO QUE TENHO QUE FALAR..NÃO SE QUER OLHOU OS OUTROS EXAMES QUE TINHA EM MÃOS DEU UMA PASSADA DE VISTA NOS PEDIDOS DA CARDIOLOGISTA QUE TINHA PEDIDO LAUDO QUAL AINDA ESTAVA PRA PEGAR NO HOSPITAL DO INCOR , E O PEDIDO PRA FICAR NA FILA DE TRANSPLANTE DE CORAÇÃO, E UM ABSURDO !! POR TANTA HUMILHAÇÃO!! DISSE QUE O MEU PROBLEMA MAIR ERA CARDIOLOGISTA E IRIA ME PASSAR PARA UM PERITO DE CLINICO ,NÃO DEVERIA ME PASSAR DIRETO COM CARDIOLOGISTA ,PASSEI PELO JUIZADO ESPECIAL DE SÃO PAULO BELA VISTA,Dr RAQUEL….PSIQUIATRA…

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